Vora Imóveis
Vora Imóveis
Na busca por um imóvel, algumas características são percebidas imediatamente: metragem, planta, número de quartos, vista e acabamentos.
Outras, embora menos evidentes durante uma visita, serão percebidas todos os dias depois da mudança.
A posição solar é uma delas.
A orientação de um imóvel influencia a quantidade de luz natural que entra nos ambientes, os horários em que essa incidência acontece e o comportamento térmico dos espaços ao longo do dia e das estações.
Em uma cidade como Curitiba, onde os meses mais frios tornam a presença do sol especialmente perceptível dentro de casa, compreender essa característica pode fazer diferença na escolha de um imóvel.
Mas existe realmente uma face melhor?
A resposta exige mais do que simplesmente olhar para uma bússola.
Quando ouvimos que um apartamento possui face norte, leste, oeste ou sul, estamos falando da orientação de suas fachadas e aberturas em relação aos pontos cardeais.
Mas existe um detalhe importante.
Um apartamento raramente possui apenas uma orientação.
A sala pode estar voltada para norte, os dormitórios para leste e a área de serviço para sul, por exemplo.
Por isso, mais importante do que perguntar apenas “qual é a face do apartamento?” é entender: para onde estão voltados os principais ambientes?
Essa leitura é muito mais útil para compreender como o sol realmente participa da rotina daquele imóvel.
Costumamos aprender que o sol nasce no leste e se põe no oeste.
Como referência geral, isso ajuda a compreender a orientação.
Na prática, porém, a trajetória solar varia ao longo das estações.
No Hemisfério Sul, durante o inverno, o percurso aparente do sol acontece mais ao norte e em uma trajetória mais baixa no céu. Isso favorece a entrada de radiação solar pelas fachadas voltadas para norte justamente no período mais frio do ano.
No verão, o sol percorre uma trajetória mais alta e os dias são mais longos.
É por isso que uma mesma janela pode receber sol de maneira bastante diferente em julho e em janeiro.
E também por isso que avaliar a posição solar de um imóvel em uma única visita pode não revelar completamente seu comportamento ao longo do ano.
No Hemisfério Sul, a orientação norte costuma apresentar uma condição bastante favorável de insolação.
Durante o inverno, quando o sol percorre uma trajetória mais baixa ao norte, seus raios conseguem penetrar mais profundamente nos ambientes.
Isso pode contribuir para temperaturas internas mais agradáveis e maior presença de luz natural nos meses frios.
Em Curitiba, essa característica ganha relevância justamente pelas condições climáticas da cidade.
Por esse motivo, apartamentos com salas, varandas e dormitórios voltados para norte frequentemente são valorizados pelo mercado local.
Mas isso não significa que qualquer imóvel face norte será necessariamente confortável.
Uma torre vizinha, uma grande árvore ou até a própria geometria do edifício podem bloquear boa parte dessa incidência.
A orientação indica de onde o sol poderia vir.
O entorno determina se ele realmente chegará ao ambiente.
Ambientes voltados para leste recebem predominantemente a incidência solar das primeiras horas do dia.
É uma característica bastante apreciada em dormitórios.
O quarto pode receber luz e algum ganho térmico pela manhã e, ao longo da tarde, tende a ficar menos exposto à radiação solar direta.
Para quem gosta de acordar com ambientes naturalmente iluminados, essa orientação pode ser especialmente agradável. Receber luz natural pela manhã pode ajudar o organismo a reconhecer o início do período ativo do dia e a sincronizar os ritmos circadianos — ciclos biológicos que participam, entre outras funções, da regulação do sono e do estado de alerta.
Também pode ser interessante para espaços que não precisam permanecer aquecidos até o final do dia.
Mas novamente é importante considerar o contexto.
Um apartamento voltado para leste em um pavimento baixo, diante de uma edificação alta, pode receber muito menos sol do que outro com a mesma orientação e vista aberta.
A orientação oeste recebe maior incidência solar no período da tarde.
E existe uma característica importante nesse horário: as superfícies da edificação já passaram várias horas recebendo calor ao longo do dia.
Por isso, especialmente no verão, ambientes voltados para oeste podem apresentar maior tendência ao aquecimento no final da tarde.
Isso não significa que a face oeste seja necessariamente ruim.
Em cidades de clima mais frio, a presença do sol da tarde pode ser bastante agradável em determinadas épocas do ano.
Também pode fazer sentido para salas, varandas e ambientes utilizados principalmente no final do dia.
O comportamento dependerá ainda do tamanho das janelas, tipo de vidro, ventilação, existência de brises, sacadas, vegetação e outros elementos capazes de controlar a entrada da radiação solar.
Em outras palavras:
orientação solar não deve ser analisada separadamente da arquitetura.
No Hemisfério Sul, fachadas voltadas para sul tendem a receber menos radiação solar direta ao longo do ano, principalmente no inverno.
Em cidades frias e úmidas, isso pode resultar em ambientes que demoram mais para aquecer e apresentam menor presença de sol direto.
Mas é importante não transformar essa característica em uma regra simplista.
Face sul não significa necessariamente imóvel escuro.
Iluminação natural e incidência solar direta são coisas diferentes.
Um apartamento voltado para sul pode ter grandes aberturas, vista completamente livre e excelente entrada de luz difusa durante todo o dia.
Enquanto isso, um apartamento teoricamente bem orientado pode ser escuro porque existe outro edifício poucos metros à frente.
Essa diferença é fundamental na avaliação de um imóvel.
Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes quando falamos em orientação solar.
Um ambiente pode ser muito claro sem receber sol diretamente.
Da mesma forma, um ambiente pode receber algumas horas de sol e ainda apresentar iluminação natural insuficiente durante o restante do dia.
A quantidade de luz natural depende de diversos fatores:
Por isso, dizer apenas que um apartamento é “face norte” ou “face sul” não descreve completamente sua qualidade luminosa.
A orientação pode ser exatamente a mesma, mas o comportamento de duas unidades do mesmo edifício pode ser bastante diferente.
Imagine dois apartamentos face norte.
Um está no segundo pavimento, diante de uma torre vizinha.
O outro está no décimo andar, acima dessa obstrução.
Na planta, ambos possuem a mesma orientação.
Na prática, a quantidade de sol recebida pode ser completamente diferente.
Essa é uma das razões pelas quais andar, vista e posição solar deveriam ser analisados em conjunto.
Em áreas urbanas mais adensadas, o entorno construído pode ser tão importante quanto a orientação geográfica.
Vista livre e insolação frequentemente estão relacionadas, mas não são sinônimos.
Uma vista aberta reduz a possibilidade de sombreamento provocado por edificações próximas e tende a favorecer a entrada de luz natural.
Porém, tudo dependerá da direção para a qual aquela abertura está voltada.
Uma grande janela sem nenhuma obstrução voltada para sul pode proporcionar excelente luminosidade, embora receba pouca incidência solar direta durante boa parte do ano.
Já uma abertura menor voltada para norte pode receber sol direto, mas oferecer menos iluminação geral ao ambiente.
Por isso, durante uma visita, vale observar tanto a orientação quanto aquilo que existe diante das janelas.
A radiação solar que atravessa as aberturas ou aquece paredes e superfícies externas interfere nas condições térmicas do ambiente.
Em determinados períodos, esse ganho de calor é desejável.
Em outros, precisa ser controlado.
No inverno de Curitiba, permitir a entrada do sol pode contribuir para ambientes mais agradáveis.
No verão, principalmente em fachadas muito expostas ao oeste, o excesso de radiação pode aumentar a necessidade de proteção solar, ventilação ou climatização.
É justamente por isso que a arquitetura bioclimática não procura simplesmente colocar todas as janelas na direção de maior insolação.
Ela procura equilibrar ganhos solares, iluminação, ventilação e proteção de acordo com o clima e o uso de cada ambiente.
Não existe uma resposta universal.
Em Curitiba, a orientação norte tende a ser bastante valorizada por proporcionar maior oportunidade de insolação, especialmente durante o inverno.
A face leste costuma ser apreciada pelo sol da manhã.
A oeste oferece sol à tarde e exige atenção ao ganho térmico nos períodos mais quentes.
A sul tende a receber menos incidência solar direta, mas isso não significa necessariamente pouca luminosidade ou baixa qualidade ambiental.
Além disso, apartamentos podem combinar diferentes orientações.
Uma planta com dormitórios voltados para leste e área social para norte, por exemplo, pode proporcionar uma dinâmica solar bastante interessante.
Mais importante do que procurar uma única “face perfeita” é compreender como cada ambiente se comportará ao longo do dia e do ano.
Uma visita é apenas um retrato daquele imóvel em determinado horário e estação.
Um apartamento visitado às 10 horas da manhã pode parecer extremamente iluminado, mas isso não significa que receberá a mesma incidência durante a tarde.
Da mesma forma, uma visita realizada no verão não revela exatamente como o sol se comportará no inverno.
Por isso, alguns pontos merecem atenção:
Quando possível, plantas de implantação, estudos de insolação e ferramentas de trajetória solar também podem ajudar a construir uma leitura mais precisa.
Pode.
Características que interferem no conforto e são valorizadas pelos compradores podem refletir na percepção de valor e na liquidez de determinada unidade.
Isso ajuda a explicar por que apartamentos com plantas idênticas dentro do mesmo edifício podem apresentar valores diferentes.
Mas, assim como acontece na avaliação imobiliária de maneira geral, a posição solar não deve ser considerada isoladamente.
Andar, vista, estado de conservação, vagas, planta, padrão do edifício e localização continuam participando da formação do valor.
Um apartamento face norte não será automaticamente mais valioso do que qualquer apartamento face leste.
É o conjunto que determina a qualidade percebida pelo mercado.
A orientação solar é uma informação técnica relativamente simples.
Interpretá-la corretamente exige contexto.
Na VORA, entendemos que características como insolação, planta, andar, vista e relação com o entorno fazem parte da leitura de um imóvel — tanto para quem está comprando quanto para quem precisa compreender seu posicionamento no mercado.
Porque escolher um imóvel não deveria significar apenas conferir uma lista de características.
Significa entender como aquele espaço funciona.
Em diferentes horários.
Em diferentes estações.
E, principalmente, na rotina de quem irá viver ali.
A posição solar aparece na planta. Seus efeitos aparecem todos os dias.
Referências bibliográficas
KRÜGER, Eduardo Leite; TREVISAN, Livia Iwamura; TAMURA, Cintia; DI NÚBILA, Clarisse. Efeito de orientação de janela nas condições térmicas do ambiente e na percepção do usuário. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 20, n. 4, 2020. Estudo realizado em Curitiba/PR, com análise das orientações norte e sul durante o inverno e avaliações de 136 participantes.
MARTINS, Mariana; SCHMID, Aloísio Leoni. Computational Verification of the NBR 15.220-3 Recommendations for Thermal Comfort in the City of Curitiba. Brazilian Archives of Biology and Technology, v. 62, 2019. DOI: 10.1590/1678-4324-smart-2019190013.
DIDONÉ, Evelise Leite. Arquitetura e luz natural: a influência da profundidade de ambientes em edificações residenciais. Dissertação acadêmica. Estudo baseado em simulações computacionais de desempenho da iluminação natural, contemplando diferentes cidades brasileiras e orientações norte, sul, leste e oeste. Disponível no Portal eduCAPES.
BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Guia para Eficiência Energética nas Edificações. Brasília: Ministério de Minas e Energia. Material técnico sobre desempenho térmico e energético das edificações, envoltória, orientação, aberturas, vidros, iluminação natural e dispositivos de proteção solar.
BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Eficiência Energética nas Edificações. Programa Brasileiro de Etiquetagem – PBE Edifica. Brasília: Ministério de Minas e Energia.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15220 – Desempenho térmico de edificações. Rio de Janeiro: ABNT. Referência técnica para desempenho térmico e zoneamento bioclimático brasileiro.
Na busca por um imóvel, algumas características são percebidas imediatamente: metragem, planta, número de quartos, vista e acabamentos.
Outras, embora menos evidentes durante uma visita, serão percebidas todos os dias depois da mudança.
A posição solar é uma delas.
A orientação de um imóvel influencia a quantidade de luz natural que entra nos ambientes, os horários em que essa incidência acontece e o comportamento térmico dos espaços ao longo do dia e das estações.
Em uma cidade como Curitiba, onde os meses mais frios tornam a presença do sol especialmente perceptível dentro de casa, compreender essa característica pode fazer diferença na escolha de um imóvel.
Mas existe realmente uma face melhor?
A resposta exige mais do que simplesmente olhar para uma bússola.
Quando ouvimos que um apartamento possui face norte, leste, oeste ou sul, estamos falando da orientação de suas fachadas e aberturas em relação aos pontos cardeais.
Mas existe um detalhe importante.
Um apartamento raramente possui apenas uma orientação.
A sala pode estar voltada para norte, os dormitórios para leste e a área de serviço para sul, por exemplo.
Por isso, mais importante do que perguntar apenas “qual é a face do apartamento?” é entender: para onde estão voltados os principais ambientes?
Essa leitura é muito mais útil para compreender como o sol realmente participa da rotina daquele imóvel.
Costumamos aprender que o sol nasce no leste e se põe no oeste.
Como referência geral, isso ajuda a compreender a orientação.
Na prática, porém, a trajetória solar varia ao longo das estações.
No Hemisfério Sul, durante o inverno, o percurso aparente do sol acontece mais ao norte e em uma trajetória mais baixa no céu. Isso favorece a entrada de radiação solar pelas fachadas voltadas para norte justamente no período mais frio do ano.
No verão, o sol percorre uma trajetória mais alta e os dias são mais longos.
É por isso que uma mesma janela pode receber sol de maneira bastante diferente em julho e em janeiro.
E também por isso que avaliar a posição solar de um imóvel em uma única visita pode não revelar completamente seu comportamento ao longo do ano.
No Hemisfério Sul, a orientação norte costuma apresentar uma condição bastante favorável de insolação.
Durante o inverno, quando o sol percorre uma trajetória mais baixa ao norte, seus raios conseguem penetrar mais profundamente nos ambientes.
Isso pode contribuir para temperaturas internas mais agradáveis e maior presença de luz natural nos meses frios.
Em Curitiba, essa característica ganha relevância justamente pelas condições climáticas da cidade.
Por esse motivo, apartamentos com salas, varandas e dormitórios voltados para norte frequentemente são valorizados pelo mercado local.
Mas isso não significa que qualquer imóvel face norte será necessariamente confortável.
Uma torre vizinha, uma grande árvore ou até a própria geometria do edifício podem bloquear boa parte dessa incidência.
A orientação indica de onde o sol poderia vir.
O entorno determina se ele realmente chegará ao ambiente.
Ambientes voltados para leste recebem predominantemente a incidência solar das primeiras horas do dia.
É uma característica bastante apreciada em dormitórios.
O quarto pode receber luz e algum ganho térmico pela manhã e, ao longo da tarde, tende a ficar menos exposto à radiação solar direta.
Para quem gosta de acordar com ambientes naturalmente iluminados, essa orientação pode ser especialmente agradável. Receber luz natural pela manhã pode ajudar o organismo a reconhecer o início do período ativo do dia e a sincronizar os ritmos circadianos — ciclos biológicos que participam, entre outras funções, da regulação do sono e do estado de alerta.
Também pode ser interessante para espaços que não precisam permanecer aquecidos até o final do dia.
Mas novamente é importante considerar o contexto.
Um apartamento voltado para leste em um pavimento baixo, diante de uma edificação alta, pode receber muito menos sol do que outro com a mesma orientação e vista aberta.
A orientação oeste recebe maior incidência solar no período da tarde.
E existe uma característica importante nesse horário: as superfícies da edificação já passaram várias horas recebendo calor ao longo do dia.
Por isso, especialmente no verão, ambientes voltados para oeste podem apresentar maior tendência ao aquecimento no final da tarde.
Isso não significa que a face oeste seja necessariamente ruim.
Em cidades de clima mais frio, a presença do sol da tarde pode ser bastante agradável em determinadas épocas do ano.
Também pode fazer sentido para salas, varandas e ambientes utilizados principalmente no final do dia.
O comportamento dependerá ainda do tamanho das janelas, tipo de vidro, ventilação, existência de brises, sacadas, vegetação e outros elementos capazes de controlar a entrada da radiação solar.
Em outras palavras:
orientação solar não deve ser analisada separadamente da arquitetura.
No Hemisfério Sul, fachadas voltadas para sul tendem a receber menos radiação solar direta ao longo do ano, principalmente no inverno.
Em cidades frias e úmidas, isso pode resultar em ambientes que demoram mais para aquecer e apresentam menor presença de sol direto.
Mas é importante não transformar essa característica em uma regra simplista.
Face sul não significa necessariamente imóvel escuro.
Iluminação natural e incidência solar direta são coisas diferentes.
Um apartamento voltado para sul pode ter grandes aberturas, vista completamente livre e excelente entrada de luz difusa durante todo o dia.
Enquanto isso, um apartamento teoricamente bem orientado pode ser escuro porque existe outro edifício poucos metros à frente.
Essa diferença é fundamental na avaliação de um imóvel.
Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes quando falamos em orientação solar.
Um ambiente pode ser muito claro sem receber sol diretamente.
Da mesma forma, um ambiente pode receber algumas horas de sol e ainda apresentar iluminação natural insuficiente durante o restante do dia.
A quantidade de luz natural depende de diversos fatores:
Por isso, dizer apenas que um apartamento é “face norte” ou “face sul” não descreve completamente sua qualidade luminosa.
A orientação pode ser exatamente a mesma, mas o comportamento de duas unidades do mesmo edifício pode ser bastante diferente.
Imagine dois apartamentos face norte.
Um está no segundo pavimento, diante de uma torre vizinha.
O outro está no décimo andar, acima dessa obstrução.
Na planta, ambos possuem a mesma orientação.
Na prática, a quantidade de sol recebida pode ser completamente diferente.
Essa é uma das razões pelas quais andar, vista e posição solar deveriam ser analisados em conjunto.
Em áreas urbanas mais adensadas, o entorno construído pode ser tão importante quanto a orientação geográfica.
Vista livre e insolação frequentemente estão relacionadas, mas não são sinônimos.
Uma vista aberta reduz a possibilidade de sombreamento provocado por edificações próximas e tende a favorecer a entrada de luz natural.
Porém, tudo dependerá da direção para a qual aquela abertura está voltada.
Uma grande janela sem nenhuma obstrução voltada para sul pode proporcionar excelente luminosidade, embora receba pouca incidência solar direta durante boa parte do ano.
Já uma abertura menor voltada para norte pode receber sol direto, mas oferecer menos iluminação geral ao ambiente.
Por isso, durante uma visita, vale observar tanto a orientação quanto aquilo que existe diante das janelas.
A radiação solar que atravessa as aberturas ou aquece paredes e superfícies externas interfere nas condições térmicas do ambiente.
Em determinados períodos, esse ganho de calor é desejável.
Em outros, precisa ser controlado.
No inverno de Curitiba, permitir a entrada do sol pode contribuir para ambientes mais agradáveis.
No verão, principalmente em fachadas muito expostas ao oeste, o excesso de radiação pode aumentar a necessidade de proteção solar, ventilação ou climatização.
É justamente por isso que a arquitetura bioclimática não procura simplesmente colocar todas as janelas na direção de maior insolação.
Ela procura equilibrar ganhos solares, iluminação, ventilação e proteção de acordo com o clima e o uso de cada ambiente.
Não existe uma resposta universal.
Em Curitiba, a orientação norte tende a ser bastante valorizada por proporcionar maior oportunidade de insolação, especialmente durante o inverno.
A face leste costuma ser apreciada pelo sol da manhã.
A oeste oferece sol à tarde e exige atenção ao ganho térmico nos períodos mais quentes.
A sul tende a receber menos incidência solar direta, mas isso não significa necessariamente pouca luminosidade ou baixa qualidade ambiental.
Além disso, apartamentos podem combinar diferentes orientações.
Uma planta com dormitórios voltados para leste e área social para norte, por exemplo, pode proporcionar uma dinâmica solar bastante interessante.
Mais importante do que procurar uma única “face perfeita” é compreender como cada ambiente se comportará ao longo do dia e do ano.
Uma visita é apenas um retrato daquele imóvel em determinado horário e estação.
Um apartamento visitado às 10 horas da manhã pode parecer extremamente iluminado, mas isso não significa que receberá a mesma incidência durante a tarde.
Da mesma forma, uma visita realizada no verão não revela exatamente como o sol se comportará no inverno.
Por isso, alguns pontos merecem atenção:
Quando possível, plantas de implantação, estudos de insolação e ferramentas de trajetória solar também podem ajudar a construir uma leitura mais precisa.
Pode.
Características que interferem no conforto e são valorizadas pelos compradores podem refletir na percepção de valor e na liquidez de determinada unidade.
Isso ajuda a explicar por que apartamentos com plantas idênticas dentro do mesmo edifício podem apresentar valores diferentes.
Mas, assim como acontece na avaliação imobiliária de maneira geral, a posição solar não deve ser considerada isoladamente.
Andar, vista, estado de conservação, vagas, planta, padrão do edifício e localização continuam participando da formação do valor.
Um apartamento face norte não será automaticamente mais valioso do que qualquer apartamento face leste.
É o conjunto que determina a qualidade percebida pelo mercado.
A orientação solar é uma informação técnica relativamente simples.
Interpretá-la corretamente exige contexto.
Na VORA, entendemos que características como insolação, planta, andar, vista e relação com o entorno fazem parte da leitura de um imóvel — tanto para quem está comprando quanto para quem precisa compreender seu posicionamento no mercado.
Porque escolher um imóvel não deveria significar apenas conferir uma lista de características.
Significa entender como aquele espaço funciona.
Em diferentes horários.
Em diferentes estações.
E, principalmente, na rotina de quem irá viver ali.
A posição solar aparece na planta. Seus efeitos aparecem todos os dias.
Referências bibliográficas
KRÜGER, Eduardo Leite; TREVISAN, Livia Iwamura; TAMURA, Cintia; DI NÚBILA, Clarisse. Efeito de orientação de janela nas condições térmicas do ambiente e na percepção do usuário. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 20, n. 4, 2020. Estudo realizado em Curitiba/PR, com análise das orientações norte e sul durante o inverno e avaliações de 136 participantes.
MARTINS, Mariana; SCHMID, Aloísio Leoni. Computational Verification of the NBR 15.220-3 Recommendations for Thermal Comfort in the City of Curitiba. Brazilian Archives of Biology and Technology, v. 62, 2019. DOI: 10.1590/1678-4324-smart-2019190013.
DIDONÉ, Evelise Leite. Arquitetura e luz natural: a influência da profundidade de ambientes em edificações residenciais. Dissertação acadêmica. Estudo baseado em simulações computacionais de desempenho da iluminação natural, contemplando diferentes cidades brasileiras e orientações norte, sul, leste e oeste. Disponível no Portal eduCAPES.
BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Guia para Eficiência Energética nas Edificações. Brasília: Ministério de Minas e Energia. Material técnico sobre desempenho térmico e energético das edificações, envoltória, orientação, aberturas, vidros, iluminação natural e dispositivos de proteção solar.
BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Eficiência Energética nas Edificações. Programa Brasileiro de Etiquetagem – PBE Edifica. Brasília: Ministério de Minas e Energia.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15220 – Desempenho térmico de edificações. Rio de Janeiro: ABNT. Referência técnica para desempenho térmico e zoneamento bioclimático brasileiro.





